quinta-feira, 26 de março de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
Um tributo a Flush - Em 17 de março de 2008 ele foi para o ceu dos cachorros!!!

"Ah, Flush", disse a Senhorita Barrett.
Pela primeira vez, ela o olhou nos olhos.
Pela primeira vez, Flush viu a dama deitada no sofá.
Os dois se surpreenderam.
Cachos pesados pendiam das laterais do rosto da Senhorita Barrett; grandes olhos espertos brilhavam; uma grande boca sorria.
Orelhas pesadas pendiam das laterais do rosto de Flush; seus olhos também eram grandes e inteligentes; sua boca estava aberta.
Havia algo de comum entre os dois.
Enquanto encaravam um ao outro, pensaram: aqui estou eu.
Então, sentiram: mas que diferente! O rosto dela era pálido, de uma inválida, afastado do ar, da luz, da liberdade. O dele era o rosto saudável e afetuoso de um animal jovem; cheio de saúde e de energia.
Separados violentamente, apesar de originados no mesmo molde, será que um completava o que estava latente no outro?
Ela realmente poderia ser tudo aquilo, mas ele... não.
Entre os dois existia o maior abismo que pode separar um ser do outro. Ela falava. Ele era mudo.
Ela era uma mulher; ele era um cão.
Assim, intimamente ligados; assim, imensamente separados, um encarava o outro.
Então, de um salto, Flush subiu no sofá e se acomodou no lugar em que permaneceria para todo o sempre — sobre a manta aos pés da Senhorita Barrett.