
Distendei vossa espera o quanto quiserdes
- tão clara, duma clareza tão alucinante
é minha visão que, dir-se-ia,
bastava o tempo de liquidar esta rima,
para, garimpando ao longo do verso,
entrar numa vida maravilhosa.
Eu não preciso indagar o que e como.
Vejo-o, nítido, até os último detalhes,
no ar, camada sobre camada,
como pedra sobre pedra.
Vejo erguer-se, fulgurando
no pináculo dos séculos,
isento de podridões ou poeiras,
o laboratório das ressurreições humanas.
Eis o calmo químico,
a vasta fronte franzida em meio à experiência
Num livro,
"Toda a Terra", procura ele um nome.
"O Século Vinte...vejamos, a quem ressuscitar?
A Maiakovsky talvez...
Não, busquemos matéria mais interessante!
Não era bastante belo esse poeta".
Será então minha vez de gritar daqui mesmo,
desta página de hoje:
"Pára, não folheies mais!
É a mim que deves ressuscitar!"